{"id":223,"date":"2019-11-10T23:05:00","date_gmt":"2019-11-10T23:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marino.web2067.uni5.net\/?p=223"},"modified":"2019-11-10T23:05:00","modified_gmt":"2019-11-10T23:05:00","slug":"a-culpa-e-do-cabral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marino.blog.br\/?p=223","title":{"rendered":"A CULPA \u00c9 DO CABRAL?"},"content":{"rendered":"<p>O brasileiro sempre foi criativo e com bom humor, sabendo se divertir com sua pr\u00f3pria desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>O programa de com\u00e9dia intitulado \u201cA Culpa \u00e9 do Cabral\u201d \u00e9 mais um exemplo disso.<\/p>\n<p>Mas a culpa \u00e9 do Cabral?<\/p>\n<p>Pedro \u00c1lvares Cabral descobriu o Brasil em 22 de abril de 1.500. Um enorme territ\u00f3rio cheio de vida, com energia, \u00e1gua, excelente clima e alimentos \u00e0 vontade. Mas bastante longe da Europa. T\u00e3o distante que, se n\u00e3o fosse Napole\u00e3o invadir Portugal e for\u00e7ar a Rainha, o Pr\u00edncipe Regente e toda a Corte a fugirem de Portugal em 29 de novembro de 1807, escoltados pela marinha brit\u00e2nica, pouco o Brasil teria se desenvolvido.<\/p>\n<p>Dizem que Napole\u00e3o relatou que o \u00fanico governante que o enganou foi o Pr\u00edncipe Regente Dom Jo\u00e3o. Enquanto negociava a rendi\u00e7\u00e3o a fam\u00edlia real portuguesa preparava os navios para fugir.<\/p>\n<p>Foi assim que se estabeleceram no Brasil e transferiram a capital do Reino de Portugal para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Uma vez estabelecidos no Brasil v\u00e1rios atos foram tomados como a abertura dos portos \u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas, eleva\u00e7\u00e3o do Estado do Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Reino Unido \u00e0 Portugal e Algarves, cria\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil, cria\u00e7\u00e3o da Imprensa R\u00e9gia, da Academia Real Militar, abertura de escolas de medicina na Bahia e no Rio de Janeiro, dentre uma s\u00e9rie de outras medidas que se deram ao longo dos anos.<\/p>\n<p>O Brasil passou a ser a sede da Coroa que, para se alimentar, para alimentar toda a Corte, precisava de recursos somente colet\u00e1veis no Brasil, j\u00e1 que Portugal havia sido tomado por Napole\u00e3o Bonaparte.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que a Coroa Portuguesa decidiu a sorte do Brasil em ser, definitivamente, uma col\u00f4nia de explora\u00e7\u00e3o porque, \u00e9 claro, sempre houve o sonho de retorno a Lisboa.<\/p>\n<p>Ainda que no final do s\u00e9culo anterior homens de valor tentaram dar in\u00edcio a movimento pela independ\u00eancia do Brasil na antiga Ouro Preto, nas Minas Gerais, foi no s\u00e9culo XIX que a nuvem negra da explora\u00e7\u00e3o passou a sobrevoar o pa\u00eds, ensinando os locais que os membros da Corte esperavam que a Coroa arrecadasse tributos para serem repartidos, de alguma forma, com eles.<\/p>\n<p>Ser amigo do rei \u00e9 uma express\u00e3o antiga e at\u00e9 hoje muitos dizem que preferem ou desejam ser amigo do rei. \u00c9 uma alus\u00e3o ao processo cont\u00ednuo que a Corte se retro alimenta a partir do tesouro coletado pela Coroa ou pelos privil\u00e9gios cartoriais distribu\u00eddos e criados pela mesma Coroa.<\/p>\n<p>O sentimento de que a expropria\u00e7\u00e3o alheia \u00e9 aceita foi difundido aos quatro cantos. Entrou no DNA do povo.<\/p>\n<p>Parece que nada mudou, certo?<\/p>\n<p>A Coroa foi substitu\u00edda pelo Estado. Os dirigentes do pa\u00eds hoje s\u00e3o chamados de pol\u00edticos e os membros da Corte s\u00e3o os empres\u00e1rios eleitos, apadrinhados por reservas de mercado, cart\u00f3rios, recursos subsidiados, e os altos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, notadamente os que integram os Poderes Legislativo e Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>E o desejo de expropria\u00e7\u00e3o alheia permanece, como o roubo da fia\u00e7\u00e3o da companhia telef\u00f4nica, como o \u201cgato\u201d nas resid\u00eancias, como o estacionar na vaga n\u00e3o permitida, como o suborno ao guarda de tr\u00e2nsito (diga-se de passagem, aceito pela autoridade, como forma expropriat\u00f3ria).<\/p>\n<p>Entendeu por que a Suprema Corte julga casuisticamente? Est\u00e1 no DNA do povo.<\/p>\n<p>A culpa, portanto, n\u00e3o \u00e9 do Cabral. Pode at\u00e9 ter sido de Napole\u00e3o, que empurrou Dom Jo\u00e3o ao Brasil, e sua estada unificou o pa\u00eds com a cria\u00e7\u00e3o de entidades p\u00fablicas, estradas, correios, etc. Caso contr\u00e1rio, como ocorreu na parte hisp\u00e2nica da Am\u00e9rica, o Brasil teria se dividido em diversos pa\u00edses independentes.<\/p>\n<p>Como mudar isso?<\/p>\n<p>Basta retirar o Tesouro do Estado e devolv\u00ea-lo ao indiv\u00edduo que o gerou. Basta diminuir a casta de amigos do rei e eliminar cart\u00f3rios, privil\u00e9gios, reservas de mercado, subs\u00eddios&#8230; Se o boi engorda com o olho do dono, vamos deixar o dinheiro com seus verdadeiros donos.<\/p>\n<p>Vamos devolver o Poder ao Povo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O brasileiro sempre foi criativo e com bom humor, sabendo se divertir com sua pr\u00f3pria desgra\u00e7a. O programa de com\u00e9dia intitulado \u201cA Culpa \u00e9 do Cabral\u201d \u00e9 mais um exemplo disso. 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